“Poucas tarefas são mais parecidas com a tortura de Sísifo do que o trabalho doméstico, com sua repetição interminável: o limpo fica sujo, o sujo é limpo, uma e outra vez, dia após dia.”
— Simone de Beauvoir, 1908 – 1986
Na voz de Simone de Beauvoir — uma reflexão gerada por IA
A vida doméstica nos revelou, com crueldade, que a liberdade não é um dom, mas uma conquista diária. A repetição do limpo e do sujo é a prova de que o tempo, para a mulher, muitas vezes não avança — apenas gira em torno de si mesmo. É a negação da criação, a prisão do eterno recomeço.
O que significa esta citação?
A imagem do trabalho doméstico como uma condenação sem fim evoca a absurda fadiga de Sísifo, o herói grego condenado a empurrar uma pedra morro acima para vê-la rolar de volta, eternamente. Beauvoir não compara a tarefa à tortura por acaso: a repetição exaustiva, o ciclo sem progresso aparente, revelam uma forma de alienação que aprisiona quem a executa, especialmente as mulheres, em um tempo que não avança, mas se esgota em gestos vazios de sentido próprio.
Essa reflexão nasce no contexto do pós-guerra europeu, quando Simone de Beauvoir, em O Segundo Sexo (1949), desmonta os mecanismos que naturalizam a mulher como responsável exclusiva pelo lar. Em uma sociedade que ainda confinava o feminino ao espaço doméstico, ela denuncia como essa divisão sexual do trabalho perpetua uma condição de imanência — a mulher, presas a necessidades biológicas e rotinas cíclicas, é impedida de transcender, de criar projetos que ultrapassem o imediato. Sua crítica, aliás, dialoga com o existencialismo de Sartre, mas também com sua própria vivência: Beauvoir, que nunca assumiu os afazeres domésticos como prioridade, via neles um emblema da opressão estrutural.
Hoje, a frase ressoa em lares onde a sobrecarga de tarefas invisíveis ainda recai desproporcionalmente sobre as mulheres, mesmo quando elas trabalham fora. A solução não está em romantizar o ato de limpar ou cozinhar, mas em redistribuir essas obrigações, transformando-as em responsabilidade coletiva. Pequenos gestos, como dividir a louça ou planejar refeições em conjunto, quebram o ciclo de Sísifo: o trabalho doméstico passa a ser uma ação compartilhada, não uma sentença solitária. A paz, aqui, começa em casa, na justiça do cotidiano.
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